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Showing posts with the label Análise

Autopercepção, Vínculos e Identidade: Um Relato Investigativo

Possuo uma forte necessidade de controle sobre aqueles que julgo (nem sempre corretamente) estarem em uma jornada de vida extremamente prejudicial. Isso ocorre conforme minhas próprias experiências e o modo como elas moldaram minha percepção sobre determinados tópicos. Contraponto: Felizmente, isso não ocorre com frequência e, quando acontece, reconheço o equívoco após algum tempo. Devido à constante negligência ou ignorância que sofri em relação às minhas opiniões no passado, tenho a tendência a me sentir mal quando, em um debate ou desacordo, preciso voltar atrás e reconhecer falhas — seja na lógica abordada, seja na forma como me expressei. Contraponto: Mesmo desgostoso, reconheço meus erros publicamente. Talvez pelo autismo, sou incapaz de sentir apego ou saudade, mesmo por aqueles que amo. Não sinto a dor da falta, mesmo quando a rejeição é dolorosa. Na verdade, até a rejeição parece afetar-me muito pouco, às vezes. Contraponto: Trabalho ativamente para construir relações saudá...

Entre o Isolamento e a Busca por Conexão

Tenho pensado muito na secretária do CAPS e tento entender por que essa fixação surgiu. Essa reflexão faz parte de algo maior: minha dificuldade em formar amizades presenciais. Eu só consigo me aproximar de pessoas que despertam em mim um sentimento especial, algo que considero realmente significativo. O que eu mais desejo é ter um motivo para sair de casa e viver alguma forma de reciprocidade — dar e receber afeto de alguém que seja importante para mim. (Cheguei até a cogitar adotar um gato para preencher esse vazio! 🐈) A atração que sinto ali vem, em parte, da semelhança que percebo entre nós. Nossas interações sempre foram rápidas e profissionais, porque faço questão de respeitar o ambiente de trabalho. Em uma das viagens do grupo nos conversamos um pouco, doutra vez comentei que ela tinha traços de autismo, assim como eu. Meses depois, ela parou o que estava fazendo para me confirmar que meu palpite estava certo — ela havia recebido um diagnóstico recentemente. Desde então, sin...

O Espelho da Validação

Ontem, uma amiga nossa — em um grupo voltado para pessoas autistas — começou a falar sobre sexualidade. Foi então que um rapaz, de boa aparência e bastante confiante, perguntou que tipo de pênis ela achava mais atraente. (O grupo é um espaço livre de julgamentos.) Ele fez mais algumas perguntas e, em seguida, começou a contar histórias dignas de astro pornô. Na hora, algumas luzes de alerta acenderam na minha cabeça. Pelo jeito dele, deduzi que talvez fosse alguém com traços narcisistas, se aproximando com segundas intenções e tentando impressioná-la com supostas façanhas sobre-humanas. E poucas coisas me revoltam mais do que ver alguém explorando outra pessoa para se satisfazer. Mas respirei fundo: não seria justo acusá-lo apenas com base na minha intuição. Seria cruel e antiético. Ainda assim, não consigo evitar a sensação de que ele me lembra alguém do meu passado — só não sei exatamente quem. Mais tarde, tive a impressão de que ele roubou a atenção das minhas amigas usando uma “t...

Meu Corpo Não Cabe Nesse Chat

Eu sinto que minhe parceire quer apenas uma amizade de internet como quaisquer outras, pois não se importa com nada que ultrapasse as linhas de uma comunicação em texto, ou seja, é indiferente ao que transponha esse limiar. Tenho medo delu me perder para alguma outra pessoa e não posso simplesmente lhe dizer isso, pois eu estaria pondo pressão em seus ombros! Não tenho nenhum outre garote em mente, mas e se surgir? E se eu passar a dar mais importância para esse suposto outro indivíduo?! Meu parceire não dá o que preciso e não é sua culpa. NÃO É JUSTO EXIGIR ISSO!!! E não vou! Preciso entender a situação delu primeiro: Elu me ama e se importa, gosta de nossas interações, busca satisfazer-me e dar atenção, se culpando quando não consegue. Elu quer uma relação de amizade, sem necessariamente interagir fora das redes, ou via calls. Na verdade, observo nelu certo conforto em manter a comunicação restrita a mensagens de texto. A minha situação: Eu quero uma relação não romântica, mas que s...

Tentando compreender e ser compreendido

Este texto aborda temas sensíveis como racismo, insegurança emocional e medo de julgamento. Pode conter gatilhos para algumas pessoas. 🤔🎤 Em amarelo está o que eu falei, em verde o que  Consciente falou. Hoje, participei de uma conversa em um grupo para pessoas autistas. Questionei uma fala de uma mulher da seguinte maneira: " É possível ser bipolar e capacitista em relação à bipolaridade? " No decorrer da conversa, uma mulher que chamarei de Consciente comentou: " Claro, assim como dá para ser negro e ser racista. Fazer parte de uma comunidade não te isenta de ser preconceituoso. " Respondi: " Mas a pessoa negra é vítima do racismo. Ela pode reproduzir discursos racistas porque foi vítima desse sistema, mas não sei se dá para chamá-la de racista. Acho que dá para dizer que é preconceituosa, mas prefiro não usar o termo 'racista'. Para mim, ela continua sendo mais uma vítima do racismo. " Então, Consciente respondeu: " Vítimas que prop...

Além das Primeiras Impressões: Uma Lição de Responsabilidade

Uma vez, fui delegado para uma convenção de saúde mental que ocorreria em uma universidade da região. Lá, eu participaria junto com usuários e funcionários da rede de saúde para votações que colocariam projetos de lei em andamento, para serem discutidos em Brasília e, quem sabe, concretizados. Lá, meu olhar cruzou com o de uma garota que sorriu e fez meu coração acelerar. Eu não conseguia focar em nada além do seu sorriso; meus pensamentos ficaram confusos e tive certeza de que deveria aproveitar a oportunidade para pegar seu número. Mas não fiz isso. Como a convenção durava dois dias, no segundo dia, observei-a de longe. Ela andava de um lado para o outro, conversava com os figurões na frente, ajudava na produção e organização das coisas; parecia alguém determinada. Inclusive, havia sido ela quem mediou a votação anteriormente. Com a ajuda dos meus acompanhantes, o psicólogo e a assistente social, consegui arranjar coragem, mas logo de cara faltaram oportunidades. Orei muito para que ...

Meu Mapa Astral

Fiz meu mapa astral, não creio nele, mas me diverte analisá-lo. Eis aqui abaixo o resultado; Sol no Primeiro Decanato de Leão (Domicílio) O Sol é um dos elementos mais importantes do mapa astral. Ele representa o núcleo central da personalidade de uma pessoa, seu ego, identidade e força vital. Em astrologia, o termo " domicílio " refere-se a um signo do zodíaco no qual um planeta está particularmente forte e em sua posição mais natural e confortável. Cada planeta rege um ou mais signos do zodíaco, e quando um planeta está no signo que ele rege, ele está em domicílio. Está na sua "casa" natural e opera com maior facilidade e potência. Personalidade: Você é naturalmente carismático, confiante e energético. Gosta de ser o centro das atenções e tem uma natureza generosa. Expressão: Forte desejo de se expressar e de ser reconhecido. Forte liderança e criatividade. Opinião - Dizem que tenho carisma, mas nem sempre fui assim. A confiança foi recentemente conquistada, e...

Desvendando o Amor

Estou analisando a possibilidade de ser incapaz de sentir amor romântico, pois no meu novo relacionamento me identifiquei muito com minhe namorade. Mas, antes de qualquer conclusão, preciso primeiro identificar o que é, de fato, amor romântico.  👀😗 A primeira explicação que encontrei não parece completamente correta:  “ O amor romântico é um tipo de amor que envolve uma forte atração emocional e física entre duas pessoas, frequentemente associado a sentimentos de paixão, desejo e uma profunda conexão emocional. Ele pode ser definido pelas seguintes características:  Atração Física e Emocional : Envolve um desejo intenso de estar perto da outra pessoa, tanto física quanto emocionalmente. Há uma combinação de atração física e uma ligação emocional profunda.  Paixão : Geralmente é acompanhado por sentimentos intensos de paixão e entusiasmo em relação ao parceiro. Pode incluir sentimentos de euforia, excitação e desejo.  Intimidade Romântica : Inclui atividades qu...

Orações Diárias

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Eu oro três vezes ao dia de forma espontânea e sem um método específico de devoção. Simplesmente peço o que desejo e agradeço pelo que recebo. No entanto, mantenho uma estrutura lógica, o que faz com que cada oração seja muito semelhante à anterior.⛅😇 Ao acordar, agradeço pela noite de sono tranquila e pelo novo dia que me é proporcionado. Antes do almoço, agradeço pela comida e, por insegurança, sinto a necessidade de pedir que abençoe não apenas meu alimento, mas também os alimentos futuros, tanto os meus quanto os de quem conheço e até mesmo de quem não conheço. Isso me traz ansiedade se algo ou alguém for deixado de fora, então detalho tudo nos mínimos detalhes. Ao me preparar para dormir, divido a oração em etapas, algo que estou percebendo apenas agora, o que é interessante! Na primeira etapa, começo pedindo perdão por várias coisas das quais me arrependo durante o dia, seguido de um pedido de força para resistir às tentações. Em seguida, inicio com a frase: “ Peço para que aben...

Lidando com Visitas Inesperadas (ALERTA DE GATILHO: Violência Doméstica, Crises de Saúde Mental e Conflitos Familiares)

Tomei uma decisão sobre o Acelerado. Não é uma decisão empática, além do que, como podem ver pelo blog, isso consome boa parte dos meus pensamentos e se reflete nos meus posts. Ouvi boatos de que ele rouba sua mãe, foi capaz de ameaçá-la de agressão, assim como a outra mulher. Bem, boatos são boatos, e não é difícil crer que ele seja capaz disso. Seria um contexto e tanto para a reação da nossa enfermeira em chamar a polícia. Ela é um amor, paciente, profissional, apesar do quão INSUPORTÁVEL ele anda sendo! Ele acabou de vir aqui em casa e meu irmão está em crise, para piorar. Estou de saco cheio dele vir sem avisar! A pior hora possível! Estou tremendo! Acabei de mandá-lo embora. 🙅😤 Hoje, 22/06/2024, ele estava calmo. Eu fui rude. Relato quase ao vivo : Acelerado chega sem avisar, exatamente no momento em que eu escrevia sobre ele e meu irmão iniciava sua crise. Eu estava tão nervoso, acumulando a negatividade em resposta aos diversos comportamentos nocivos da parte dele, que acabei...

Amizade e Carinho: O Peso dos Pequenos Gestos

Hoje, 21/06/2024, meu amigue disse que estávamos "namorando". Eu estou ciente de que é apenas uma forma mais simples de definir um relacionamento QueerPlatônico, que elu não tem atração romântica, não tem interesse para além de uma amizade com fortes vínculos emocionais, e que eu também não tenho interesse em um relacionamento amoroso na minha atual fase da vida. Mesmo assim, isso me deixou feliz. Por mais que os sentimentos nutridos um pelo outro sejam de amizade, me senti muito amado. Sempre achei que teriam vergonha de me chamar de namorado, ou que jamais me veriam nessa figura. Nunca achei que fosse ser visto como uma opção para alguém, por isso essa palavra tem tanto peso para mim. Eu me senti aceito como sou, porque no processo de simplificação dos termos referentes ao nosso relacionamento de amizade, elu não teve vergonha ou repulsa em cogitar intitular de namoro, mesmo não sendo no estrito senso. Elu precisa saber como me faz sentir bem com gestos tão simples. Não é s...

A Luta Interna: Compreendendo o Vício e a Dualidade do Ser (ALERTA DE GATILHO: Vício, Conflitos internos, Culpa e Vergonha)

Ter um vício, uma fonte de prazer barata para preencher o vazio, é terrível! Parece uma força invisível que nos direciona até o objeto dessa compulsão. Não parece ser você quem toma as decisões! Como podem dois "eus" habitar um mesmo corpo? Diante de um gatilho, ou simplesmente com o passar do tempo, o indivíduo forte e resignado literalmente se transforma. Busca justificativas para suas ações, acredita que não é algo ruim até que termina o que começou e se sente um lixo. Tudo me leva a crer que somos lógica e emoção, duas faces de um mesmo indivíduo. Poderia aconselhar a encontrar um ponto de equilíbrio, mas não é tão simples. Como uma mangueira entupida que não nivela a água quando suas duas pontas são erguidas, minha dualidade precisa passar por um processo complexo de limpeza, para só então tentar equilibrar as duas extremidades. Muita gente terceiriza a culpa, acusando demônios, espíritos obsessores, bruxaria, etc. Qualquer coisa parece melhor que o peso desolador sobre ...

Entre Realidade e Fantasia: Minha Obsessão pelo Sobrenatural (ALERTA DE GATILHO: Delírios, Fanatismo Religioso e Sentimentos de Exclusão)

Vou me permitir, neste post, falar sobre um dos meus maiores hiperfocos: espiritualidade e o sobrenatural. Gosto tanto do assunto que os filmes e livros que mais me atraem são aqueles com temática paranormal, com demônios, vampiros e magia. Além de ler e ver, eu escrevia muito. O que eu não escrevia, encenava na minha cabeça. Encontrei refúgio na imaginação muito cedo, o que prejudicou meus estudos, pois não conseguia manter minha mente focada. Rolavam épicos, batalhas mortais e muito mais no meu conto de fadas. Esse interesse era tão intenso que, na infância e adolescência, eu acreditava ser um lobisomem. Cheguei a ver minhas presas crescendo no espelho, andava uivando na rua durante a noite e não usava camisa! Lobisomens foram meu primeiro grande fascínio.  Em outra fase, pensei que tinha poderes e juntava evidências aleatórias para sustentar essa crença. Eu observava a folha de uma árvore e me concentrava para que se movesse; o vento soprava e ela se mexia. Com essas "habilidad...

Cumplicidade e Conflito: Memórias de uma Amizade Complexa [ALERTA DE GATILHO: Manipulação, Controle e Assédio Sexual a Figuras de Controle]

Quando eu era muito jovem e bastante solitário, minha única amiga era minha prima. Ela era uma criança sapeca, escondia os chinelos das pessoas, arrancava a saia da tia, puxava minha calça no bebedouro da escola, tirava minha cadeira quando eu ia me sentar e, de fato, mandava em mim. No entanto, como mencionei antes, ela era minha única amiga. Lembro-me de uma experiência bastante incomum. Entramos no carro do meu pai, eu coloquei o cinto e ela usou a chave para me mostrar como o para-brisa funcionava. Não apenas o para-brisa se moveu, mas o carro também, derrubando o muro de casa. Durante a adolescência, dormíamos na casa um do outro, acampávamos no quintal e passeávamos juntos. Minha prima tinha um domínio sobre mim, pois eu era sempre muito inocente, e me arrastava para lugares onde eu não me sentia confortável. Inclusive, foi ela quem me trouxe para a igreja evangélica. Eu era seu confidente. Tudo o que ela fazia, do mais contraditório ao mais banal, ela me contava. Entre tantas co...

Além da Solidão: A Importância do Amor-Próprio e do Apoio Social

Relacionamentos não são fáceis para mim. Fazer amigos já era uma tarefa quase impossível; imagine então os relacionamentos românticos. Em toda a minha vida, apenas três garotas me abraçaram, e nunca recebi um beijo. Inicialmente, a razão de eu não ter uma namorada era o pânico social, o bullying e a dificuldade de me adaptar. Eu afastava as pessoas por parecer estranho, problemático e esquivo. Naquela época, eu reagia mal às provocações, não sabia como me comportar em situações cotidianas e tentava imitar o comportamento das outras pessoas. Quando me converti ao evangelismo, comecei a suportar todas as provações em silêncio e a evitar ao máximo relacionamentos fora da igreja. Era uma regra importante que os membros não se envolvessem romanticamente com pessoas fora do círculo religioso e que esse relacionamento durasse apenas seis meses, seguido de casamento oficial e mudança para uma casa do casal. Não havia jovens na congregação e, mesmo que houvesse, eu não tinha condições de morar ...

Autoanálise: Enfrentando Frustrações

Eu estou tão cansado! Não sei exatamente do que, por isso, vou ensinar a todes minha técnica de auto-análise de crises, começando por uma pergunta; Quando esse cansaso começou?📉😰 Eu estava prestes a me matricular em um curso presencial gratuito de inglês. Esta é a maneira mais eficiente para eu aprender, pois em casa não consigo manter a disciplina nos estudos. Sempre tive dificuldade em manter o entusiasmo e a motivação. Além disso, socializar é essencial para mim neste momento da vida. Tudo isso aumentou minhas expectativas, e acreditei que finalmente conseguiria concretizar um de meus planos. No entanto, fiquei frustrado. O curso gratuito oferecia apenas três opções: telemarketing, caixa e internet, todos com aulas online. MOTIVO : Frustração.  Segunda pergunta: Por que essa frustração me cansa? Para que algo cause cansaço, não pode ser um evento isolado; é necessária uma certa frequência para haver desgaste. Um músculo não se cansa após levantar um peso de 1 kg uma vez, mas s...

Acelerado: Um Retrato da Complexidade Humana no Contexto Terapêutico

Gostaria de aprofundar a discussão sobre o evento mencionado no post anterior sobre meu amigo, Acelerado. Há algum tempo ele vem se mostrando inoportuno, com atitudes egoístas. 💥😓 Vivendo em uma constante busca desenfreada por entretenimento, ele encontra refúgio em seu celular. Se perde o interesse na terapia, mexe no aparelho. Mesmo durante atividades físicas, como tênis de mesa, ele interrompe para ler ou responder mensagens. Nos grupos terapêuticos, é quem mais fala, interrompe e desvia dos tópicos. Mesmo quando precisa ficar em silêncio, ele se retorce na cadeira, gemendo e clamando para que lhe deem voz. Como expliquei no post anterior, devido a uma vida inteira em silêncio, tendo suas ideias e opiniões ridicularizadas, encontrou no CAPS o lugar perfeito, pois é ouvido e recebe a atenção que sempre desejou. Isso, somado à busca incessante por entretenimento, o transforma em um tagarela (não tenho nada contra os tagarelas, porque às vezes também sou um). Em outras situações, par...

Sobrevivendo ao Bundão: Reflexões Sobre Meu Ex-Cunhado Tóxico (Alerta de Gatilho: Violência e Abuso)

Alerta de gatilho:  Este texto discute temas sensíveis relacionados à violência física, abuso emocional, crueldade animal, discriminação e ameaças. No meu ranking pessoal de pessoas tóxicas, uma figura se destaca: meu ex-cunhado, a quem vou chamar de Bundão. Ele era um homem calvo, magro e alto, que trabalhava como caminhoneiro e fazia bicos como pedreiro. Seu ego era tão grande quanto sua careca, o que frequentemente gerava momentos cômicos. Como pai, ele era péssimo; como adestrador, um pouco melhor. Gabava-se constantemente da obediência dos meus sobrinhos autistas a detrimento da esposa. Diante das visitas, demonstrava como só ele conseguia controlá-los, pedindo ao menor que o beijasse, se sentasse ou se levantasse, sempre obedecendo suas ordens. Faltava apenas mandar que se deitasse, rolasse e fingisse de morto. Na sua cabeça, era responsável exclusivamente por castigá-los, enquanto a esposa cuidava da saúde, educação e alimentação das crianças. Também esperava que ela voltass...

Cuidando e Contendo: Abordagens Especulativas para Gerenciar Crises no CAPS

Hoje, dia 03/06, meu colega de CAPS, uma pessoa com autismo, se excedeu e desacatou os funcionários, agindo de forma inflexível e violenta. Para contê-lo, a polícia foi chamada. Diante desse incidente, pensei em compartilhar minha opinião sobre possíveis estratégias para moderar o comportamento dele. (As estratégias estão desatualizadas, pois o texto foi escrito a muito tempo, após uma discução em que ele afirmou algo e sustentou sua opinião desrespeitanso os demais colegas.) Vou me referir a ele como Acelerado . A empolgação do Acelerado com os dias de grupo terapêutico se deve ao fato de ser o único ambiente onde ele pode falar de seus interesses de forma livre. Quando não tem a oportunidade de falar sobre seus hiperfocos, tudo se acumula e explode na primeira chance que tem de se expressar. Isso explica o fluxo interminável e ansioso de informações sobre geopolítica e moralidade. Recentemente, percebi algo curioso. Quando Acelerado ouve uma informação que contraria suas ideias já in...

Impacto da Opressão sobre Meu Sobrinho com Autismo

Meu sobrinho mais velho (o Sonhador) costuma lidar muito mal com frustrações, pois não sabe processar suas emoções. Assim como eu, ele é autista, e quando tem uma crise de raiva, reage de forma completamente irracional, dizendo que odeia a todos, que deseja morrer, que deseja que todos morram, e soltando palavrões compulsivamente. Desde cedo, foi alvo de piadas e brincadeiras pelos próprios pais. Quando se sentiam ameaçados em sua autoridade, usavam o tom de voz, palmadas e ameaças para coagi-lo. O garoto quer e merece ser levado a sério, respeitado e ter sua opinião validada. Na maior parte do tempo, é simplesmente obrigado a fazer as coisas. Às vezes, são coisas que nem fazem sentido, como ser forçado a deixar que seus cravos sejam espremidos. Minha irmã reage às crises de raiva do filho tentando impor novamente sua autoridade da maneira mais incoerente possível, forçando-o a agir como se não estivesse irritado. Não respeita os sentimentos dele e deseja que toda aquela raiva desapare...