O Espelho da Validação

Ontem, uma amiga nossa — em um grupo voltado para pessoas autistas — começou a falar sobre sexualidade. Foi então que um rapaz, de boa aparência e bastante confiante, perguntou que tipo de pênis ela achava mais atraente. (O grupo é um espaço livre de julgamentos.) Ele fez mais algumas perguntas e, em seguida, começou a contar histórias dignas de astro pornô.

Na hora, algumas luzes de alerta acenderam na minha cabeça. Pelo jeito dele, deduzi que talvez fosse alguém com traços narcisistas, se aproximando com segundas intenções e tentando impressioná-la com supostas façanhas sobre-humanas. E poucas coisas me revoltam mais do que ver alguém explorando outra pessoa para se satisfazer.

Mas respirei fundo: não seria justo acusá-lo apenas com base na minha intuição. Seria cruel e antiético. Ainda assim, não consigo evitar a sensação de que ele me lembra alguém do meu passado — só não sei exatamente quem.


Mais tarde, tive a impressão de que ele roubou a atenção das minhas amigas usando uma “tática suja” (provavelmente coisa da minha cabeça, rs). E quando recebeu elogios de outra mulher, fiquei bem triste.

Depois percebi que boa parte dessa pré-concepção vinha da inveja. Eu não quero ter relações sexuais nem sinto necessidade de namorar, mas, ainda assim, me sinto invisível para o sexo oposto. E vê-lo receber aquela atenção/validação — de uma forma que, na minha cabeça, parecia antiética (mesmo que muito provavelmente não tenha sido) — me deixou ainda mais para baixo.


No começo, não foi inveja, foi um sentimento de superproteção desnecessária. Por algum motivo, vi aquele cara como um predador e minhas colegas como presas.

Depois, com o desenrolar da conversa, percebi que a inveja também estava ali — não no sentido de querer uma parceira (até porque não estou procurando ninguém agora), mas na necessidade de validação. Achei que já tinha superado essa fase, mas aparentemente não.


Será que isso tem a ver com o fato de eu me interessar levemente mais por amizades femininas? Não sinto vontade de romance ou sexo, e tampouco tenho segundas intenções, mas parece que, de alguma forma, esse tipo de amizade também me dá uma sensação de validação. É como se fosse importante para mim saber que estou sendo notado, que posso ser carinhoso (sempre de forma respeitosa) sem ser rejeitado pelo outro gênero.

Eu também sou muito carinhoso com meus amigos homens — e gosto muito deles — mas talvez exista algo especial nessa dinâmica com mulheres, algo que toque mais fundo na minha necessidade de validação. ☺💔

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