Entre a Genuinidade e o Algoritmo
Eu estava criando um perfil no Bumble e me disseram que deveria mudar a descrição, algumas fotos, alguns pontos aqui e ali. Fiz tudo isso, mas fui sincero ao dizer que, ainda assim, não receberia likes — porque nunca recebo. Elas disseram que isso era por causa da minha descrição anterior, e eu sei que não é. Nada vai mudar.
Uma das minhas amigas disse que o problema não sou eu. Mas, se de fato não sou, por que então não posso escrever no Bumble sobre como eu sou realmente? Foi aí que percebi por que essa conversa me deixou tão mal.
Durante grande parte da minha vida, as pessoas não gostaram de como eu sou, mesmo eu não fazendo nada de errado. Tive que me encaixar nas expectativas dos outros, e isso só me gerava infelicidade. Achei que essa fosse uma questão resolvida, mas ainda é um tema sensível.
Abri mão disso e passei a ser brutalmente sincero com todos, o tempo todo. Como quase nada me atinge, não há como me manipularem ou me fazerem algum mal por esse lado. Isso virou meu método para afastar pessoas superficiais e atrair quem gosta de mim pelo que eu sou.
Mas, quando se trata da construção de relações especiais, eu não sou bom nisso. É uma questão de validação em uma parte bem específica da minha vida. Sou inadequado nesse quesito para a esmagadora maioria das pessoas. Vou evitar esse tópico de novo, porque sei que é massante e chato e porque eu sei que estou certo.
😁
O ponto é não buscar validação e ser eu mesmo. Mas isso entra em conflito com o fato de eu estar buscando um relacionamento, porque, se tratando dum app de namoro, preciso transpassar a barreira do preconceito superficial. Não há jeito, num rodizio de pretendentes, somos sempre rasos (não me eximo). Então, para isso, acabo tendo que abrir mão de uma pequena parte da minha genuinidade, escondendo algumas coisas num primeiro momento, pois, querendo ou não, é uma competição. Sendo totalmente genuíno, fico em desvantagem. Acho que se trata de aceitar que, para ser opção, preciso manipular as primeiras impressões. Ainda assim, vou me restringir apenas às impressões imediatas, aquelas que antecedem o match.
Faz sentido o que minhas amigas disseram sobre eu não ser o problema. Quer dizer, parte da questão é o contexto regional; outra, minha falta de independência; outra, a assexualidade/arromanticidade; outra, o autismo; outra, a forma como esses apps funcionam; outra, o preconceito alheio… e assim por diante.
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