Autopercepção, Vínculos e Identidade: Um Relato Investigativo
Possuo uma forte necessidade de controle sobre aqueles que julgo (nem sempre corretamente) estarem em uma jornada de vida extremamente prejudicial. Isso ocorre conforme minhas próprias experiências e o modo como elas moldaram minha percepção sobre determinados tópicos. Contraponto: Felizmente, isso não ocorre com frequência e, quando acontece, reconheço o equívoco após algum tempo.
Devido à constante negligência ou ignorância que sofri em relação às minhas opiniões no passado, tenho a tendência a me sentir mal quando, em um debate ou desacordo, preciso voltar atrás e reconhecer falhas — seja na lógica abordada, seja na forma como me expressei. Contraponto: Mesmo desgostoso, reconheço meus erros publicamente.
Talvez pelo autismo, sou incapaz de sentir apego ou saudade, mesmo por aqueles que amo. Não sinto a dor da falta, mesmo quando a rejeição é dolorosa. Na verdade, até a rejeição parece afetar-me muito pouco, às vezes. Contraponto: Trabalho ativamente para construir relações saudáveis, selecionando minhas amizades com certo critério.
Ainda sobre a revelação anterior: não sinto como os outros. Nada é intenso, salvo algumas exceções; quanto a isso, não há muito o que fazer.
A rejeição já foi um medo constante, pois sempre fui excluído, tido como chato e alguém sem nada a contribuir em uma conversa. Reviver esse sentimento continua sendo doloroso, embora tolerável. Acabo por investigar as pessoas, as relações sociais, as emoções e as reações para saber como não incomodar. Além disso, possuo a tendência de colocar as pessoas em um patamar acima do meu, cuidando da imagem que elas têm de mim. Contraponto: Apesar disso, imponho-me à minha maneira: tento não me desculpar sem necessidade e, principalmente, não aceito que me prejudiquem.
Outra resposta às minhas experiências com a rejeição e a culpa advinda dela foi uma exposição quase total do que penso e sinto. Muitas vezes, sei que é pedante explicar-me frequentemente, dar opiniões não requisitadas ou falar de meus defeitos e qualidades sem medo. É a forma como garanto que gostem de mim pelo que sou, conhecendo-me sem máscaras.
Ainda nesse assunto, busco entender o que se passa na cabeça das pessoas, pedindo — às vezes de forma incômoda — que expliquem tudo o que sentem ou pensam a meu respeito. Se algo soa como raiva ou incômodo, surge a necessidade incontrolável de saber: “Fiz algo errado ou não é culpa minha?”
Sinto que faço mais amizades com mulheres e, às vezes, acho-as muito atraentes; acredito que esse possa ser um dos fatores determinantes. Não sinto desejo sexual nem algo romântico (tenho quase certeza). No entanto, é gratificante ter alguém atraente que não me veja como um pária ou alguém “nojento”, como faziam as garotas do colégio. Muito provavelmente, utilizo nossa amizade para substituir o vínculo amoroso, o que não me parece correto. Especialmente porque não sei diferenciar o que amigos fazem do que namorados fazem; nesse sentido, não encontro resistência ao pensar em beijos, abraços, toques demorados, carinho ou em ficar admirando a pessoa... parece-me algo normal entre amigos.
Já ocorreu, em momentos bem pontuais, de eu ficar tão encantado com alguma delas que não veria problema em ter o que tive com minha ex. Eu não sei diferenciar amor romântico de amor de amizade! Só sei dizer que, na maior parte do tempo, sou indiferente a elas e, em outros momentos mais raros, empolgo-me com sua aparência e personalidade. Com homens, também me empolgo com a personalidade, mas em uma frequência menor. Por isso, estou investigando. Contraponto: Como dito, não me empolgo nesse sentido com frequência e, nos casos em que ocorre, não dura muito. Além de tudo, sou extremamente respeitoso e busco deixá-las o mais confortável possível.
Um grave problema de autoimagem que tenho é o profundo sentimento de que não sou como os outros homens, mas uma versão em miniatura, "fofa" e de suporte. Todos os elogios que recebo das mulheres são sobre minha fofura, tal qual um ursinho de pelúcia. Sou um amigo perfeito, mas jamais seria um parceiro. Sinto-me como uma criança e parece que nenhuma mulher me vê de forma diferente, como uma opção. O engraçado é que não quero namorar nenhuma delas; quero apenas a validação, saber que não sou invisível e que sou tão bom quanto os demais homens. Isso também é um problema causado por experiências passadas no colégio, envolvendo exclusão e o sentimento de que não me encaixo. Contraponto: Minha autoimagem é algo que estou construindo e só me abate sob determinados gatilhos.
Sinto inveja quando homens tóxicos ou pessoas muito parecidas comigo conseguem namorar. Por que eles, e não eu, que sou alguém mais ou igualmente bacana? Contraponto: Eu sei a resposta para a indagação. Não basta ser "bacana", é preciso estar disponível e ser acessível geograficamente. Não sou nem um, nem outro.
Recentemente, disseram que dou notas razoáveis a pessoas "horrorosas" e que, por conta disso, não confiavam mais nos meus elogios. Fiquei triste. Não vejo esses homens como horrorosos; vejo-os como pessoas comuns, talvez um pouco abaixo da média. Como também me considero comum e raramente recebo elogios pela minha aparência, surgiu o receio de que tenham uma opinião semelhante sobre mim e apenas não a compartilhem por respeito. Afinal, a pessoa citada e eu não somos tão diferentes assim. Fiquei pensando se "fofo" não seria aquele elogio protocolar, usado apenas para não chamar alguém de feio. Talvez as pessoas tenham medo de que eu sofra na friendzone, ignorando o fato de que sou arromântico. Contraponto: Reconheço que provavelmente é "coisa da minha cabeça" e que a opinião alheia não deveria afetar-me dessa maneira. Eu mesmo me acho bonito.
Conheço muito pouco da minha romanticidade e queria muito alguém com quem pudesse morar e ter liberdade para todo tipo de intimidade que coubesse no acordo da relação. Não sei namorar de forma padrão; meu amor não é "normal" nem intenso, mas, às vezes, tenho vontade de contato físico, até beijo na boca. Acho que nunca terei isso, e tal pensamento me perturba. Contraponto: Isso vem à tona apenas quando estou carente ou sofri algum gatilho. Racionalizo muito sobre o tema e tento me conformar com a possibilidade de nada dar certo, trabalhando em minha autoestima e amor-próprio.
Um questionamento final
Será que eu quero namorar minhas amigas? Esse é justamente o problema de não entender o amor romântico, e é o que mais me perturba. Sinto um amor profundo por elas, mas como posso saber se ele é romântico ou não? Na maior parte do tempo, sou indiferente e se me perguntar, digo categoricamente que não quero namorar com elas (tenho convicção disso!); contudo, como explicar os raros momentos em que me empolgo com a aparência delas? Somado a isso, há o fato de eu não encontrar resistência à ideia de amigos se beijarem, abraçarem ou manterem contatos semelhantes.
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