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O Espelho da Validação

Ontem, uma amiga nossa — em um grupo voltado para pessoas autistas — começou a falar sobre sexualidade. Foi então que um rapaz, de boa aparência e bastante confiante, perguntou que tipo de pênis ela achava mais atraente. (O grupo é um espaço livre de julgamentos.) Ele fez mais algumas perguntas e, em seguida, começou a contar histórias dignas de astro pornô. Na hora, algumas luzes de alerta acenderam na minha cabeça. Pelo jeito dele, deduzi que talvez fosse alguém com traços narcisistas, se aproximando com segundas intenções e tentando impressioná-la com supostas façanhas sobre-humanas. E poucas coisas me revoltam mais do que ver alguém explorando outra pessoa para se satisfazer. Mas respirei fundo: não seria justo acusá-lo apenas com base na minha intuição. Seria cruel e antiético. Ainda assim, não consigo evitar a sensação de que ele me lembra alguém do meu passado — só não sei exatamente quem. Mais tarde, tive a impressão de que ele roubou a atenção das minhas amigas usando uma “t...

Cansado pra escrever um título

Eu não posso criar uma casca para fingir que está tudo bem, e desconfio que estava fazendo isso sem perceber. Eu cresci incomodando aqueles ao meu redor — os mais próximos — sem nunca perceber, até que as pessoas "estourassem". Na maioria das vezes, não me sinto mais assim, mas esse sentimento vem à tona quando um dos meus maiores problemas entra em jogo. Acredito que tudo começou como uma necessidade de validação do sexo oposto, para, por fim, me sentir uma pessoa normal. Mas não sei se ainda é assim. Deve ser uma vontade íntima de construir laços e de ter outra pessoa em minha vida para cuidar e ser cuidado, pois não consigo fazer as coisas sozinho. Não sou capaz de nada sozinho. Tenho meus pais, mas quando não estiverem mais aqui, o que será de mim? Tenho minha irmã, mas ela já tem filhos que precisam dela. Eu posso ser suporte para ela, mas se ela for o meu, isso vai sobrecarregá-la ainda mais!! Eu quero conhecer alguém que eu ame e que me ame de volta — e não precisa ser...

Dificuldades em construir conexões reais

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Dei match com uma garota autista em um app de relacionamentos. É a primeira com quem tenho chances reais de me encontrar pessoalmente, já que moramos na mesma cidade. Todas as outras mulheres — que foram um número irrisório, apenas quatro — moravam longe. A primeira pediu para webnamorar, mas fez um comentário homofóbico e eu terminei; a segunda demonstrou muito interesse, mas se afastou de forma fria; a terceira me deu ghosting; e a quarta webnamorou comigo em uma relação queerplatônica, mas descobriu que era lésbica e, de qualquer forma, nunca nos encontraríamos. A garota que conheci agora não demonstra muito interesse em mim, no que faço ou no que gosto, e me responde de forma simples e com intervalos longos. Demora para interagir. Mandei esta mensagem: Ela respondeu que eu poderia continuar mandando mensagens, tranquilo. Mas como ela vai confiar em mim se não me pergunta nada? Quando vou ver o rosto dela? kkkk Sei que estou apressando as coisas, com certeza. Aconteceu o mesmo quand...

O Peso de Não Ser Ouvido

Estou em uma banda municipal, onde toco clarinete. Tenho praticado porque vou participar da comemoração do 7 de Setembro. Meu pai foi — e ainda é — contra a minha participação, pois não vê retorno que compense o gasto com gasolina e o tempo "desperdiçado" me esperando durante as aulas. Às vezes, sinto que o problema são os gastos comigo . 😔 Ao mesmo tempo, me sinto preso no meu quarto , sem ter para onde ir. Meu pai diz que basta visitar os parentes, mas é a mesma coisa que ficar sozinho em casa. Não há assunto nem atividades gratificantes com eles. Quando encontro algo que me interessa, meu pai não se dispõe a me levar. Parece que não posso sonhar com nada além dessas paredes, porque sempre escuto algo desanimador vindo dele. Há pouco, estava praticando animado: — Tenho que decorar essas três músicas! Como faço isso? Haha! — falei em tom de brincadeira, mas também com certo orgulho pela responsabilidade. Ele respondeu: — É só desistir. Meu pai tenta me convencer a desistir ...

Validado Por Quem? - Um Desabafo Sobre Invisibilidade Afetiva

😟💔 Meu parceiro(a) acabou de terminar comigo. Seus motivos foram plausíveis e, surpreendentemente, não doeu tanto quanto imaginei. Nossa dinâmica mal mudou, afinal, já não havia sexo nem romance entre nós. A única diferença é que, antes, tínhamos a liberdade de amar sem compromisso – fosse de forma romântica ou não, caso surgisse a vontade. Agora, esse amor está restrito à amizade. O que realmente me perturba (e aqui, "perturba" no sentido figurado) é a crença limitante de que nunca vou ter um relacionamento real, presencial, físico e genuíno. Ninguém nunca me viu como opção – nem mesmo ele(a). E é aí que essa ideia se alimenta: na minha longa experiência de rejeição. Sempre que gosto de alguém, surge uma barreira invisível. Com meu parceiro(a), foi a mãe dele(a), a distância e agora isso. Com outra pessoa que me interessou, foi a rotina sobrecarregada. Com a primeira, foi a instabilidade do borderline. Parece até que o universo conspira contra mim nesse aspecto. Por mais q...

Não quero que meu parceire sofra em festas

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Estou preocupado com minhe parceire! Elu decidiu que quer ir a festas para beijar, mas sei como esses ambientes podem ser hostis e cheios de pessoas tóxicas. Tenho medo de que não respeitem o ritmo delu e, caso elu sinta repulsa ou tenha um shutdown no meio da pegação, não vão parar.  Pedi conselhos no grupo de autistas que tenho no WhatsApp. Várias pessoas compartilharam experiências traumatizantes e falaram sobre como esse tipo de ambiente é MUITO perigoso. Fiquei extremamente preocupado e acabei questionando: "Por que vocês iriam para um lugar desses?" Eu propus alguma alternativa mais segura e sugeri o tinder, o que logo percebi não ser boa ideia. Mas a reação deles me incomodou, pois logo deixaram claro que não existia alternativa, como se eu fosse tolo por procurar. Por que seria ruim buscar alternativas mais seguras? Eles descreveram essas festas como se fossem zonas de guerra – o próprio Carisma sugeriu que meu/minha parceire levasse algo pontiagudo para se defender. ...

Meu Corpo Não Cabe Nesse Chat

Eu sinto que minhe parceire quer apenas uma amizade de internet como quaisquer outras, pois não se importa com nada que ultrapasse as linhas de uma comunicação em texto, ou seja, é indiferente ao que transponha esse limiar. Tenho medo delu me perder para alguma outra pessoa e não posso simplesmente lhe dizer isso, pois eu estaria pondo pressão em seus ombros! Não tenho nenhum outre garote em mente, mas e se surgir? E se eu passar a dar mais importância para esse suposto outro indivíduo?! Meu parceire não dá o que preciso e não é sua culpa. NÃO É JUSTO EXIGIR ISSO!!! E não vou! Preciso entender a situação delu primeiro: Elu me ama e se importa, gosta de nossas interações, busca satisfazer-me e dar atenção, se culpando quando não consegue. Elu quer uma relação de amizade, sem necessariamente interagir fora das redes, ou via calls. Na verdade, observo nelu certo conforto em manter a comunicação restrita a mensagens de texto. A minha situação: Eu quero uma relação não romântica, mas que s...