Se tornou mais um desabafo

O Vovô que falei anteriormente, não é mais meu amigo. Eu percebi que ele usa da autoridade e conhecimento para corrigir os outros, sem muito cuidado para com os sentimentos alheios e também, sem abertura para tal. Ele parece legitimar um comportamento espinhoso com base no sofrimento que já viveu (que não foi pouco), como se isso justificasse a forma dura com que atinge os outros, sem considerar o impacto das próprias palavras.

Ele elogia e comemora as vitórias de todos, é verdade. Mas também corrige, corrige e corrige. A dinâmica da relação fica sempre desnivelada: ele ocupa o lugar da autoridade, e o outro, o de alguém em aprendizado, mesmo quando esse aprendizado não foi solicitado. Eu, particularmente, peço opiniões. Mas meus colegas não pedem.

Quando alguém solicita que ele mude algum comportamento, ele devolve dizendo que o outro está tentando controlá-lo. Segundo ele, criar expectativas sobre como alguém deve se portar não é saudável; precisamos aprender a conviver com quem não age como gostaríamos. Se ele magoa alguém, essa pessoa que evolua ou se afaste, porque é exaustivo tentar se encaixar. E, honestamente, ele não está totalmente errado nisso. O que me incomoda é a hipocrisia.

Quando eu fui humilhado, rechaçado e até supostamente difamado, ele simplesmente ignorou o que me aconteceu. A pessoa responsável pelo meu estado deplorável não mudou absolutamente nada na concepção dele. Ele sequer quis saber o que ela fez. Isso é muito babaca. Mas claro, ele é superior, né? Eu que devo ser também. /ironia. Nem tentou entender a situação e já nos classificou como imaturos por buscarmos conforto em vez de simplesmente tolerarmos o convívio no mesmo ambiente. Quando é com os outros, é fácil dar lição de moral. Pô, mais tarde, ao ser contrariado por mim, ameaçou sair de imediato! Falta empatia pra Baralho!

“Ah, porque fulana é engraçada, continuo gostando dela.” Nem quis saber o que ela fez. Não considerou minhas emoções, minha dor. Passou por cima de tudo para apontar onde eu precisava melhorar. Não podia, ao menos, ter feito isso depois? Parece que o importante é ele ser “genuíno”, não importa como eu me sinta. Se eu me incomodo, então estou sendo controlador. E ele ainda sairia como o injustiçado, ironicamente.

Se ao menos assumisse que é egoísta. Não custa nada. Quando eu agi no limite, exausto do cargo de administrador, ele me chamou de egoísta. E eu assumi: fui mesmo. Mas comigo era “você está deixando todos na mão”, “está fugindo da responsabilidade para buscar conforto”, “está tentando controlar as coisas”. Engraçado que, quando o grupo reconheceu que minha decisão era legítima, isso foi o estopim para que ele também saísse, deixando todos na mão. A diferença? Ele não assumiu egoísmo. Disse que era por causa do transtorno de estresse pós-traumático. E eu considero legítima a saída dele, assim como considero a minha. O problema é que, na cabeça dele, a minha é egoísta e a dele não.

Fica evidente que ele aponta os defeitos dos outros, mas não assume os próprios. Teve ainda a coragem de construir para os demais a narrativa de que eu estava agindo contra a vontade da maioria. Sendo que eu aceitei o resultado da enquete e deixei claro que não insistiria na retirada dela. Eu tentei ser o mais compreensivo possível. O mais paciente possível. Reconheci onde errei. Fui maduro. E, ainda assim, parece que nada disso foi visto. É muita cegueira.

PORQUÊ os sentimentos dele importam mais?! Ele tem direito de agir conforme suas regras, mas eu não!! Ele tem direito de ameaçar sair do grupo visando o próprio conforto, eu não!! Ele tem o direito de abandonar todo mundo quando em crise, eu não!! Olha, isso soa como uma manipulação ferrada. Eu não correspondo ao que ele exige de mim, logo, Vovô surta. O contrário não pode. 

E o que mais me inquieta é perceber que esse tipo de situação tem se repetido comigo. Não apenas da parte dele!

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