Experiência com Maria Padilha e Zé Pilintra

Eu tive um sonho. 😎😗

Eu e minha mãe estávamos numa senzala, sentado a uma mesa próximos da saída. Havia mais gente, conversas em paralelo entre um menino douto e adultos em fase de aprendizado. O rapaz era negro, rico em conhecimento, vestindo calça branca e nenhuma camisa. Ensinava de forma direta, pouco polida, sobre amor, respeito e fé cristã. Neste último, não falava na posição de praticante, mas ainda assim, com respeito e levantando pontos de admiração pessoal. Soube no instante que vi, ele era Zé Pilintra.


Quando veio conversar comigo e com minha mãe, fiquei com medo de ser, de certa forma, duro como fora com os outros. Mas pelo contrário, foi paciente e deixou-me bastante à vontade. Cada palavra que compartilhava era cheia de sabedoria e fico triste por não conseguir recordar com exatidão tudo que me foi dito. 


Maria padilha chegou alegre, cantando, rodopiando, um saiote vermelho. Queria conseguir reproduzir as canções, pois eram bem bonitas. Não era algo que minha mente produziria de bate e pronto. A letra falava de Matinta, sobre ela estar no quintal, sobre ela ser filha única, sobre a superar. 


Num certo momento da conversa, fiquei profundamente triste, pensando naquilo que passou o povo negro, me questionando se derramar lágrimas seria hipocrisia da minha parte. Lastimei, explicando que eu não era filho bom o suficiente, que não cuidava do meu bichinho bem o suficiente, que não compensava adequadamente o erro dos meus antepassados. Ele me disse que não se construía pontes para que déssemos ré. Se trabalhavam em minha vida, se eu trabalhasse nisso, não poderia me prender ao passado. Não deveria ficar lamentando meus erros, mas seguir adiante, buscando ser uma versão melhor do que eu era.


Queria perguntar para entidade se ela era o Zé Pilintra de fato. Mas não sabia se era prudente. Minha mãe é evangélica e claramente, eles estavam disfarçados. Uma versão menos assustadora frente aos preconceitos cristãos. Ao indagar se poderia tirar uma dúvida que já sabiam qual era, deixaram ao meu cargo decidir. E optei por manter-me calado.


Noutra hora, me questionou se as portas de um cativeiro eram boas ou ruins. Respondi que poderiam ser boas para quem fosse sair de lá, ruins para quem entrasse. Ele aprovou minha conclusão. 


Acredito que não era atoa estarmos numa senzala. Me pareceu que as entidades estavam em missão, educando almas, construindo pontes para fora de prisões, como anteriormente citado. Estavam sob disfarce, para evitar o preconceito contra doutrinas estigmatizadas no meio evangélico, mas apesar disso, seus ensinamentos transcendiam as barreiras religiosas. Não havia intuito algum de converter fiéis. Era algo genuinamente bom. Eles eram excepcionalmente bons. 


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